terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica nas instalações da Marinha do Brasil

 




Ao chegarem ao Ponto de Controle, as vítimas sofrerão uma triagem por meio de um monitoramento químico ou radiológico (ou ambos, dependendo da situação), realizado pelos militares do BtlDefNBQR, auxiliados, se for o caso, por funcionários civis do setor de proteção radiológica (como acontece em ARAMAR). Nesse momento, as vítimas também sofrerão uma primeira triagem médica (método START) e, de acordo com seu estado de saúde, serão conduzidas para os corredores específicos ou, dependendo da triagem, diretamente para a instalação de saúde local. Assim sendo, caso seja verificado que a vítima está contaminada e caso sua situação de saúde permita, ela será encaminhada para o “corredor de pessoas contaminadas”, que demandará o PDescon, onde a vítima passará por todos os procedimentos de descontaminação.

O Sistema de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica da Marinha do Brasil 

(SisDefNBQR-MB) prevê, no seu 4º nível, o atendimento às instalações sensíveis da Marinha, por intermédio do Batalhão de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica - ARAMAR (BtlDefNBQR-ARAMAR) e, futuramente, do Batalhão de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica - ITAGUAÍ (BtlDefNBQR-ITAGUAÍ). Este artigo, portanto, propõe-se a dar uma visão geral sobre esta tarefa específica de DefNBQR, apresentando suas peculiaridades e sua importância dentro do Programa Nuclear da Marinha (PNM). Ressalta-se que essa tarefa ainda não está prevista doutrinariamente na publicação CGCFN-338 (Manual de Defesa Química, Biológica e Nuclear). O referido Manual, que se encontra em fase de revisão e atualização, contemplará um capítulo específico sobre esse tipo de atividade no âmbito da MB. Ademais, para efeito deste artigo, o BtlDefNBQR-ARAMAR e o Centro Experimental ARAMAR (CEA) servirão como referência e modelo para as considerações que serão efetuadas.


Instalações Sensíveis e Plano de Emergência Local (PEL)

 Na MB, entende-se por instalações sensíveis todas as edifica- ções construídas destinadas à capacitação no domínio dos processos tecnológicos, industriais e operacionais aplicáveis à propulsão naval nuclear. Aí se incluem, portanto, as oficinas, usinas, laboratórios e protótipos desenvolvidos pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), no seu sítio localizado em ARAMAR, e as instalações componentes do futuro complexo radiológico que será implementado no setor sul da Base Naval de ITAGUAÍ. O Plano de Emergência Local do CEA (PEL-CEA) é o plano integrado encarregado de responder a eventuais emergências (de qualquer natureza) em ARAMAR. Além desse plano abrangente, cada instalação sensível possui o seu próprio PEL. Esses Planos funcionam como se fossem “Planos de Segurança Orgânica” (PSO) específicos para cada instalação. Neles estão previstas as ações de resposta a emergências de qualquer tipo (inclusive as de natureza NBQR), bem como a tarefa de cada trabalhador dentro da instalação.

Tempo de Resposta

 Quando tratamos da reposta a emergências NBQR em instala- ções sensíveis, avulta de importância o fator tempo. O intervalo de tempo entre a ocorrência de uma emergência envolvendo agentes NBQR e as primeiras ações de resposta no interior de uma instalação sensível irão, na maioria das vezes, definir a magnitude do evento. Por esse motivo, é recomendável que sejam previstas, nessas instalações, equipes de pronta-resposta, presentes 24 horas e em condições de prestar o suporte básico inicial. Essas equipes são constituídas pelo pessoal civil e militar orgânicos da instalação que, dependendo do tipo e finalidade desta, podem trabalhar por turnos, ininterruptamente. Entretanto, economizar tempo não se resume tão somente a prover uma rápida resposta a uma situação de emergência. Nesse caso, o conceito de economia de tempo é mais amplo: também é de suma importância que os produtos perigosos de cada instalação sensível sejam previamente conhecidos, bem como a localização dos mesmos dentro da planta. Isso representará uma grande economia de tempo por ocasião da resposta ao sinistro, uma vez que o planejamento da resposta já pode considerar todas as particularidades inerentes a cada produto perigoso (e suas interações) existente na planta. Cabe ressaltar que esse aspecto (o prévio conhecimento do perigo) pode ser considerado um fator positivo em comparação à DefNBQR contra um ataque inimigo em um campo de batalha – nesse caso, só conheceremos os agentes empregados algum tempo depois do ataque, após realizarmos o reconhecimento (detecção e identificação dos agentes NBQR), o que influenciará no tempo de resposta.

Cena de Ação

 As tarefas inerentes aos PEL obrigam que todos aqueles envolvidos na emergência conheçam a fundo as plantas da instalação, bem como os principais riscos, de acordo com os tipos de produtos perigosos que são manejados internamente. Devido a isso, não é recomendável que os militares envolvidos na resposta a emergências NBQR, pertencentes ao BtlDefNBQR- -ARAMAR (e futuramente ITAGUAÍ) atuem dentro das instalações sensíveis. A especificidade de cada instalação, aliada à maior rotatividade do pessoal da MB em comparação com os funcionários civis que trabalham nessas instalações, faz com que a atuação dos militares especialistas em DefNBQR seja externa à instalação sensível, na área denominada Cena de Ação, que compreende as áreas morna e fria, conforme demonstrado no esquema abaixo.




Se não for detectada contaminação, as vítimas serão conduzidas para o “corredor de pessoas não contaminadas” e embarcarão, o mais rapidamente possível, em uma viatura que as conduzirá para uma instalação na área fria. O objetivo, nesse caso, é evitar o acú- mulo de pessoas na Cena de Ação. Por último, pode-se observar também a existência de um “corredor de viaturas com pessoas contaminadas”, por onde serão evacuadas, através de ambulância devidamente “envelopada” (ou seja, preparada para evitar contaminação residual), as vítimas contaminadas que requeiram cuidados médicos mais intensos. Na realidade, todos os feridos que não conseguem caminhar ou se encontrem inconscientes (contaminados ou não) também serão evacuados por meio desse corredor. 


GEPE COPE-CEA Assessoria Técnica Grupo de Radioproteção Grupo de Monit. Ambiental Grupo de Análises Radiométrias Grupo de Eng. de Segurança Grupo de Isolamento Grupo de RecldtNBQR Grupo de DesconNBQR Grupo de Saúde Local Grupo de Brigada Incêndio Local Grupo de Radioprot. Local Grupo de Transporte Coordenador de Segurança Coordenador de Radioproteção Coordenador da Área Médica BtlDefNBQR ARAMAR CEL-UPE Brigadas Locais

Conclusão

 A DefNBQR de instalações sensíveis é uma tarefa específica de vital importância na MB. Suas peculiaridades requerem adestramento específico, pois em muitos aspectos diferem das atividades conduzidas operativamente, em apoio aos Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais. Portanto, é de grande importância, como já determinado pelo Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Coordenador-Geral do SisDefNBQR-MB, que sejam realizados exercícios conjuntos entre os militares da CiaDefNBQR do BtlEngFuzNav e os militares do Batalhão de DefNBQR-ARAMAR, exercícios esses conduzidos sob a coordenação e supervisão técnica do Centro de Defesa NBQR da MB. Tais adestramentos visam a possibilitar aos especialistas da CiaDefNBQR o conhecimento das particularidades em operar nas instalações sensíveis; ao mesmo tempo, os especialistas de ARAMAR também podem se manter adestrados para atuarem em proveito dos Grupamentos Operativos, quando forem movimentados entre as OM ou quando assim for determinado. Finalizando, o grande objetivo da DefNBQR, seja nas instalações sensíveis, seja em campanha, é salvar vidas ou, na pior das hipóteses, mitigar o sofrimento daquelas vítimas de agentes NBQR. Nessa atividade, deve-se ter em mente que é preciso evitar a todo custo que os responsáveis pela resposta também se tornem vítimas, o que seria o início do fracasso. Na DefNBQR, além da necessidade contínua de adestramento e atualização, definitivamente não há espaço para improvisos.



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