quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Time da polícia que vai jogar Copa do Brasil tem disciplina militar e Chumbo na lateral

 

Galvez EC Acre
Fundado como clube da Polícia Militar, Galvez-AC vai disputar a Copa do Brasil em 2016
Entre os times que vão jogar a Copa do Brasil pela primeira vez em 2016, certamente a história mais peculiar é a do pequenino Galvez Esporte Clube, clube acreano da cidade de Rio Branco e que tem apenas cinco anos de vida.
Fundado em 2011 como um clube social da Polícia Militar do Acre, a equipe vem em franco crescimento, já tendo conquistado um título da segunda divisão do Acreano (invicto), em 2012.
No ano passado, foi vice-campeão na elite, perdendo a final para o Rio Branco, maior potência do Estado, o que deu ao Galvez o direito de disputar a Copa do Brasil nesta temporada - curiosamente, a equipe duelará na primeira fase contra o próprio adversário da decisão estadual.
Inicialmente, somente militares atuavam pelo time, com apenas o técnico sendo civil. No entanto, o clube flexibilizou as regras e permitiu atletas "comuns" no elenco, descobrindo a receita para o sucesso.
"Ano passado, fomos vice-campeões, mas fizemos a melhor campanha geral. Tínhamos quatro militares no elenco, todos soldados, além de um bombeiro. E o presidente do time é o Comandante Geral da Polícia Militar do Acre, que é o coronel Julio César dos Santos", conta o coordenador da base do Galvez, Giuliano Oliveira, aoESPN.com.br.
Como é de se imaginar, quem quer atuar na equipe da PM deve seguir à risca os códigos de disciplina militar. No entanto, não há nenhum tipo de proibição quanto a cabelos tingidos ou adereços como brincos e colares.
"Como a diretoria é militar, naturalmente a gente impõe regras de disciplina e não tolera atrasos de jeito nenhum. A disciplina é cobrada à risca, sempre em primeiro lugar. Mas a gente não impõe nada em relação a cabelos pintados ou compridos, essas coisas", diz Oliveira.
"Com a taxa que a CBF nos pagou, também contratamos jogadores conhecidos, e eles normalmente usam brincos e bonés, a gente não proíbe. Melhor assim, poderia não funcionar. Sabemos separar as coisas e encontrar um meio termo", acrescenta.
Truculência em campo também está vetada pela comissão técnica.
"Zelamos sempre pela imagem do clube. Ano passado, um jogador se envolveu em confusão dentro de campo e foi multado. Tentamos implementar um futebol bonito, com pouco contato em campo. É regra nossa: não agredimos o adversário", assegura.
 
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Veja como foi o sorteio da 1ª fase da Copa do Brasil
Apesar de ter sido fundado como uma extensão da Polícia Militar pelo governador Tião Viana, a corporação não coloca um centavo no time. As contas são pagas por apoiadores e patrocinadores, como a cooperativa de crédito Sicoob.
Em preparação para a Copa do Brasil, o Galvez já disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior neste ano. O time foi eliminado ainda na primeira fase, mas considera ter feito uma campanha "digna", nas palavras do coordenador, já que só não avançou para a próxima fase devido ao saldo de gols (acabou com -2, enquanto o ABC-RN teve -1).
Na equipe que vai disputar o torneio mata-mata, haverá militares que terão que alternar o trabalho na corporação com o futebol profissional.
REPRODUÇÃO/FACEBOOK
Galvez EC Acre
No Galvez, a disciplina é militar
"No nosso time da Copa do Brasil temos três policiais, que estão no dia-a-dia, fazem ronda e combatem o crime, além de treinar com a gente. No Acreano, eles trabalham de manhã e à noite e de tarde eles treinam", relata.
"Por serem militares, esses garotos têm uma condição física invejável, a preparação deles é impressionante", completa.
O time de Rio Branco ainda auxilia em projetos sociais em comunidades carentes de Rio Branco e outras cidades do Acre, ajudando garotos a realizarem o sonho de jogar futebol.
"Fazemos um trabalho social muito importante com a comunidade, e conseguimos tirar vários meninos do vício das drogas. Um desses que recuperamos inclusive jogou a Copa São Paulo com a gente", finaliza Giuliano Oliveira.
Chumbo na lateral
Entre os policiais militares que irão representar o Galvez na Copa do Brasil, está o soldado Renan Monteiro de Lima, 22 anos, lateral direito. Ele é dono de um apelido curioso, mas que garante não ter nada a ver com troca de tiros.
"Sou conhecido como Chumbo desde a infância, porque era menor que os outros, mas jogava duro e não deixava os atacantes passarem. Quem não me conhece acha que o apelido é por causa de 'troca de chumbo' na PM, mas é mais antigo (risos)", sorri o ala, em entrevista ao ESPN.com.br.
Quando chegou ao clube militar, em 2013, Chumbo ainda era civil. Passou depois pelo rival Rio Branco, mas voltou ao Galvez no ano passado, já policial formado. Enquanto voa na lateral direita, ao mesmo tempo estudava para prestar concurso, já que sabe das dificuldades da carreira de atleta profissional no Acre.
ARQUIVO PESSOAL
Chumbo Lateral Galvez Acre
Lateral Chumbo em ação pelo Galvez
"A carreira de atleta aqui é muito difícil. É complicado apostar e se dedicar somente a isso, pois você nunca sabe o que vai acontecer. Nunca deixei de estudar, prestei concurso público e fui aprovado. Agora, posso conciliar a carreira militar com o que eu gosto de fazer, que é jogar bola", observa.
Ainda novato na corporação, Chumbo faz rádio patrulha em seus momentos de serviço público, alternando entre patrulheiro e motorista. Nunca participou de troca de tiros, mas conta já ter feito diversas apreensões, especialmente de ladrões.
Ansioso pela chegada da partida contra o Rio Branco, ele sonha alto na carreira. No entanto, mantém os pés no chão e pensa em uma coisa de cada vez.
"Claro que tenho o sonho de um dia jogar em grande clube, quem não pensa nisso? Mas meu primeiro plano é terminar a faculdade de educação física este ano e realizar o concurso público para oficial da Polícia Militar por aqui, para seguir carreira depois. A estabilidade é maior", admite o soldado e lateral direito.
A quem for disputar a Copa do Brasil, um aviso: cuidado se for tentar "roubar" a bola contra o Galvez, e também pense duas vezes antes de gritar "olha o ladrão" em campo...

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